A coluna do Marcelo Leite, da FolhaOnline, dessa semana não me deixou muito a vontade. Ele afirma que vivemos num nicho em que pescoços pálidos e mordidas vampirescas pululam. E só porque Iñárritu e Eastwood se valeram de experiências para-normais eles deixaram a desejar.
Para quem não assistiu aos filmes:
Além da Vida – Um filme que trata do para-normal, do metafísico, do extra-humano. Três histórias se intercalam: um vidente que está cansado de entrar em contato com os espíritos pois viver da morte não é vida; uma jornalista renomada pela sua objetividade e cientificidade ao sobreviver da tragédia do tsunami experiência o quase morte e se torna desacreditada e dois gêmeos que sofrem com a vida, mas nunca reclamam e com a morte de um deles o outro sofre mais ainda e vai em busca de ajuda para tentar contato com o espírito de seu irmão querido, mas só encontra falsários. No final tudo se resolve. Hollywood, claro.
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Biutiful – Um pai dedicado, Javier Bardem, vive em Barcelona cuidando de seus dois filhos e tentando lidar com a ex-esposa, mãe das crianças. A grande sacada: Uxbal, Javier, tem apenas 2 meses de vida, tem um câncer terminal. Um pai que leva a vida sendo o elo entre os chineses contrabandistas os senegaleses e a polícia espanhola com subornos. Aliciador, com poderes para-normais. Sem ética nos tratos comerciais, mas cheio de amor com os filhos e muito preocupado de como os filhos serão cuidados quando da sua partida. Há uma grande discussão da continuidade da vida. O filme começa pelo fim, mostra-se a venda do túmulo do pai, as relações cachorras da vida, a parte mais desumana da vida, a parte mais desumana de Barcelona, que poderia ser São Paulo, Rio, Brasília, Miami, Tóquio....
Biutiful – Um pai dedicado, Javier Bardem, vive em Barcelona cuidando de seus dois filhos e tentando lidar com a ex-esposa, mãe das crianças. A grande sacada: Uxbal, Javier, tem apenas 2 meses de vida, tem um câncer terminal. Um pai que leva a vida sendo o elo entre os chineses contrabandistas os senegaleses e a polícia espanhola com subornos. Aliciador, com poderes para-normais. Sem ética nos tratos comerciais, mas cheio de amor com os filhos e muito preocupado de como os filhos serão cuidados quando da sua partida. Há uma grande discussão da continuidade da vida. O filme começa pelo fim, mostra-se a venda do túmulo do pai, as relações cachorras da vida, a parte mais desumana da vida, a parte mais desumana de Barcelona, que poderia ser São Paulo, Rio, Brasília, Miami, Tóquio....
Ao contrário do filme de Eastwood, Biutiful acaba deixando uma maneira para o próprio espectador juntar as pecas e entender tudo e fazer sua exegese e por que não sua própria catarse.
Mas o que quero falar é que Marcelo Leite cometeu um erro comparando esses dois filmes com esse nicho mercadológico vampiresco. Se ele não gosta das luas novas e dos crepúsculos tudo bem, mas comparar boas obras que discutem bem temas causticantes e pertinentes à própria vida com obras acertadamente inverossimilhantes é infantilidade de quem só quer ser do contra para tentar dizer que tem opinião própria.
5 ovulações absurdas:
Loiro, como gosto de ler o que vc escreve. Ainda não vi nenhum dos dois filmes, sabe como é, ando vivendo em prol da OAB no momento. Não vi nenhum dos dois filmes que vc citou, mas conhece todos os filmes do dois diretores e aprecio bastante o jeito de cada um guiar e mostrar o que é cinema para eles. Acho, como primeira impressão do que vc disse, que se trata de mais um intectual que quer se mostrar inteligente e culto sendo contra toda a massa, já que esses dois diretores sairam há algum tempo do cult e caiu nos braços do povo. É, no mínimo, triste ver alguém comparando o lirismo cinematográfico desses dois diretores à saga crepúculo.
Obrigado, Polly. E força na peruca pra essa prova colérica! rs
Vi Além da Vida e fiquei extasiado, foi tratado o tema de maneira imparcial ou quase, mas de forma que leva à reflexão. Certamente são temas - os tratados nos filmes - que permeiam a vida humana, logo são interessantes de ver numa linguagem cinematográfica. Parabéns pelo post e morte (ou a experiência de) ao Marcelo Leite!
P.S. você já pensou em escrever ao jornal sobre a coluna dele, numa espécie de opinião do leitor? Ou mesmo escrever algo no blog dele (se ele tiver, é claro). Seu post merece ser lido pela massa.
Simmm, ótima ideia pedrinho! Loiro, transmita seu pensamento e como diria Buzz Lightyear:
"Ao infinito e alémmm"
Odeio quando o marco é dado por um produto ruim. Odeio porque após esse marco, para muita gente, todos os produtos daquele gênero serão ruins por extensão.
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