Terça-feira, Fevereiro 09, 2010

10 coisas que vocês não sabem sobre mim (ou não)

Olá, queridos leitores blogísticos, alguns blogs que eu leio estavam fazendo isso e eu resolvi entrar na dança. A brincadeira consiste em falar 10 coisas sobre você que (quase) ninguém sabe. Assim, eu começo e vocês abram seus corações nos comments...

1. Comecei a ler sozinha com pouca idade (três anos) e, todos os dias, ao acordar, me arrumava toda, colocava meus lápis e folhas dentro de uma sacola e me despedia da minha mãe dizendo que ia estudar. Não passava do portão, mas a sensação de autonomia era inigualável. Ficava em um canto da varanda quietinha, 'estudando'. Quando observava que crianças uniformizadas estavam pelas ruas, anunciava minha chegada à minha mãe.

2. Logo que comecei a ler, ganhei uma amiga e um cachorro imaginários que até hoje me lembro com saudade de ambos. Luciana tinha 16 anos na época e me ouvi sem pestanejar enquanto eu ainda gaguejava quando lia, já o Totó era um animal de estimação exemplar, latia apenas quando sentia medo. Luciana se despediu de mim quando eu tinha oito anos de idade, já o Totó morreu uns dois anos antes, pisoteado pela minha irmã que não entendia nada de imaginação.

3. Pelo simples motivo de viver falando com a Luciana e com o meu cachorro (meus pais achavam que eu falava sozinha. Humpf!), meus pais me levaram no médico e até no centro espírita. Não obtiveram respostas ao meu 'problema'.

4. Quando tinha 7 anos de idade, resolvi que seria freira. Para isso, além da catequese, tinha aulas com um diácono. Lia a Bíblia diariamente, terminando o livro sagrado por volta dos oito anos. Rezava em Latim, lia semanalmente a liturgia dominical, participava de estudos bíblicos e era um exemplo de menina. Isso durou até os 10 anos de idade, quando descobri que as questões me  motivavam mais que as respostas.

5. Sempre digo que não gosto de assistir comédias românticas e que não faço o estilo frágil, muito menos sensível. Puro disfarce! Não vejo esse estilo de filme, pelo simples motivo de chorar muito, quase sempre. O filme acaba e eu continuo chorando desesperadamente, é muito deprimente. Sou tão frágil quanto finjo não ser.

6. Já fui vista como uma menina muito descolada e, por isso, fui convidada a integrar sexo grupal com mais outras 7 pessoas. Esse convite foi feito por um aluno meu. No entanto, esse não é o único caso de alunos que é interessante, já cheguei até a ganhar rosas vermelhas em sala de aula, com um cartão contendo apenas um ponto de interrogação.

7. Sempre fui desastrada. Isso, creio eu, não é nenhum segredo. Já cai de um palanque na sala de aula, em que eu estava ministrando literatura. 

8. Desaprendi a andar de bicicleta e, desde então, acho que todas as experiências que um dia provei, podem se apagar da minha mente.

9. Já apostei que não ficaria muito tempo com alguém. Roses ganhou a aposta e eu ganhei um namoro duradouro com um ex-seminarista.

10. Não termino nunca relacionamentos, quando acho que estão para naufragar, pego o último bote salva-vidas e desapareço. Sou mágica.


Comentem minhas loucuras e contem suas 10 coisas!!!

Domingo, Fevereiro 07, 2010

Palmas: a Brasília da década de 70?


Dizem que Palmas é uma cidade com grande potencial. Aqui vai crescer. Palmas vai ser muito boa daqui uns 10 anos... E até lá, o que faço? Jocosidades da vida.

No começo do curso de formação em São José dos Campos eu dizia que iria pra qualquer cidade menos pra Palmas. Deu no que deu. Ainda pude escolher: Barra do Garças, Beraba ou Palmas; escolhi esta por acreditar que capital seria melhor.

Assim que sai do avião achei a cidade linda. Circunda a cidade uma serra belíssima e um lago artificial. À primeira vista tudo é lindo: o aeroporto; a serra; o céu límpido... esse recanto belíssimo de cerrado com características da floresta amazônica.

Assim que peguei o taxi estava animado. O caminho do aeroporto até a estação xerente chega a ser bonitinho. Passa-se por uma ponte sobre o ribeirão taquaralto. Tudo lindo. A partir do momento em que se entra no plano diretor a cidade é só mato. O que eles chamam de eixão aqui é a avenida Teotônio Segurado, que divide a cidade em Leste e Oeste. Já a avenida JK divide a cidade em Norte e Sul.

Fui parar bum hotel na 103norte até encontrar uma boa casa ou um apartamento legal.

A cidade realmente me assustou no início. Aqui lembra muito as cidades do interior: Buritis, MG; Luziânia, GO; Pirenópolis, GO... Nada contra essas cidades. Faço a comparação pra entenderem, visualisarem o que é Palmas. Alguém ainda teve a audácia de dizer que Palmas é uma filha de Brasília. Ai eu me pergunto: será que fazem essa comparação porque esta cidade foi planejada? Ou porque aqui a terra do solo é vermelha? O que realmente vale ressaltar é que Palmas nunca vai ser uma Brasília até porque o dinheiro que aqui circunda não circunda como lá...



A cidade tem um grande potencial turístico. Praias de rio. Parques naturais. Cachoeiras. Deserto. O centro geodésico do País. A segunda maior praça do mundo. O maior sítio aeroportuário do Brasil... Muita coisa legal pra se fazer. Sem falar na história do estado. Muita luta, porém muito ostracismo. Sabiam que por aqui passou a Coluna Prestes? Sabiam também que o nome do estado é em homenagem a uma importante tribo indígena que se denominavam Tocantins: nariz de tucano? Conhecem o capim dourado, aquele capim que naturalmente reluz à ouro? É daqui e foi descoberto pelos índios Mumbucas, que vivem na região do Jalapão, o "deserto" com suas belas dunas. Ainda vou lá!

Em Palmas me sinto na Ditadura. Calma! É uma uma questão de Ame-a ou deixe-a. Aqui também me sinto como Luiz Joaquim dos Santos Marrocos, arquivista/bibliotecário da casa real de Portugal que veio cuidar do acervo da biblioteca quando da fuga da família real para o Brasil em 1808. Ele veio obrigado. Falava mal do Rio pra todos. Até que repentinamente começou a ver o Rio como a cidade maravilhosa; por que será? Ele encontrou o amor na pessoa de Anna Maria de São Thiago Souza.

Só sei que algumas coisas estão me ajudando a passar os momentos nesta cidade: o sonho de descobrir minha verdadeira vocação(possivelmente jornalismo, ou quem sabe sociologia) e claro, o amor que vi num gaucho lindo que veio parar aqui na mesma condição da minha: ocupar uma vaguinha no aparato do Governo Federal.

Quinta-feira, Fevereiro 04, 2010

Peter Pan!!




A Trindade Ovulante não está toda junta presencialmente, isso é verdade. No entanto, esse fato não nos privará de nos divertirmos por aí, não é mesmo Roses? Assim, a minha fiel escudeira e eu, Planária Autista, aceitamos o nobre convite de aniversário de nosso querido apêndice, Peter Pan. 

O lugar escolhido foi o QG da Trindade Ovulante, Caçapa Bar. Mas vamos retroceder um pouco, eu tenho de falar para vocês que, dessa vez, quem atrasou foi eu. Sim, sweethearts, Roses ligou para minha casa para me apressar. É cada coisa que vemos nessa vida que se minha mãe não tivesse presenciado esse fato, eu juro que ia pensar que eu mesma tinha criado toda essa situação absurda...
Chegamos antes mesmo do aniversariante. Bom que colocamos o papo em dia, Roses e eu tínhamos muitas pendências, muitas fofofas e muitas reclamações sobre a vida. Desabafamos, ahhhhh, e como foi bom. Nós e nossas caipiroskas à mesa com toda aquela conversa de louco que começa em uma coisa e termina em algo inimaginável.

Comemoração seleta, com poucos amigos, ou melhor, poucas amigas. As representantes da Trindade Ovulante aqui em Brasília tiveram a oportunidade de conhecer duas moças fantásticas e extremamente divertidas: Camila e Letícia (Roqueira cabulosa! uhu \o/). Inclusive, vale aqui parabenizar Letícia por seu aniversário também!
Lógico que para agitar um pouco, caímos na Sinuca. Roses e eu formamos uma dupla imbatível e Pedro e Letícia, outra não tão imbatível assim. Como Roses e eu tivemos de ir embora (vida de operária é triste!), ficamos em um empate, muito divertido, por sinal. E ainda bem que fomos embora, já que a banda (três carinhas no palco fingindo que tocavam alguma coisa) prometia um hiper mega show (ironia!) de sertanejo. Rose, como sempre, empolgou-se com o 'ótimo som' e saiu bailando pelo salão, além de pronunciar toda a letra... Mel Dels!

Está bem, a coisa nem foi tão comportada assim, mas eu não posso citar aqui nomes, afinal, não sei aonde essa informação pode parar. Entretanto, tenho de falar e bem alto que o aniversariante, Peter Pan (27 anos!!!), beijou alguém (de língua e tudo, meu amorrrrrrrrrr) e, depois ou antes (eu não tenho o mínimo de organização cronológica) houve um sensacional beijo triplo!!!! Que trindade mais safadinha! huiahuiahuiahuia

Sem contar os inúmeros selinhos... Isso que é aniversário!!

Pedrinho, a Trindade deseja a você ovulações orgásticas por todos os dias desse ano. Felicidade, friendo!

Ps:. A fotinha que ilustra o post foi a única que sobrou, afinal, não se deve confiar em pessoas bêbadas para tirar fotografias...

Sábado, Janeiro 30, 2010

Foda-se



Fui ensinada a não falar palavrões. "Mocinhas de família não fazem isso". Acostumei-me, agora, adulta, lembro que não falo as tais palavras feias nem mesmo em um rompante de raiva. Meu ex-namorado costumava dizer que eu era educada demais, até nas carícias mais íntimas e nos toques de prazer, eu me mantinha polida, por assim dizer. Uma vez ele chegou a me desafiar a falar os palavrões assombrosos, corei. Mas nem ele mesmo fez isso um dia, era também um bom menino, por isso o larguei. 

Nunca questionei o porquê de não usar palavrões, minha mãe e eu pouco falávamos. A única vez que ela teve uma conversa (mais que uma frase bem articulada) comigo foi no fatídico dia de minha menarca. É impossível esquecer certas coisas, sinto cheiros e sensações daquele dia, sinto o medo da conversa que se alongou por mais de instantes. Era tanto para mim que não consegui escutá-la de todo, guardo apenas as imagens de cuidado que teria de ter daquele momento em diante. Era preciso se resguardar e chamar pouca atenção. Era preciso falar baixo, manter-se em postura, alongar as roupas e, mais importante que isso, atentar-se ao vocabulário. 

Mudei bastante desde então, não me tornei completamente depravada, não por falta de vontade, não por rebeldia. Gosto do que minha mãe me falava tanto para ter cuidado, toques, palavras proibidas. Hoje, não mais escondo. No entanto, meu vocabulário parece inerte desde os tempos de mocinha. Cansei de fugir dele e até não mais me importo com piadinhas a respeito de como falo, de como pareço uma lady vitoriana ao pronunciar as palavras certas, sem exaltação, sem muita emoção.

Engraçado é como pensamos que mudamos tanto ao longo das etapas de vida, parece que um dia acordamos mulheres e tudo mudou; somos ousadas, independentes e seguras de si. Falamos palavrões. Não foi bem assim comigo, sou outra hoje em dia, mas sinto que algumas coisas simplesmente não podem ser modificadas, pois não sei a que ponto elas fazem parte do meu alicerce. Não estou dizendo que gosto de como isso caminha, a minha vontade era de ser espontânea e gritar palavrões quando assim me viesse à cabeça, mas isso não está escrito em minha pele. 

A cada nova experiência, eu me reinvento. Sinto-me uma nova mulher. Tola, sou a mesma mocinha que temia dizer as tais palavras, que ainda roseia a face por pouco. Não sou uma e muito menos outra, sou o conflito entre as duas ou mais. E é nesse processo que mais me conheço, que mais sei que a brisa não muda.

Conheci as palavras cedo, sozinha. Aprendi a ler para uma platéia de uma pessoa: minha amiga imaginária. Mesmo assim, a presença dos tais palavrões ainda me surpreendia. Agora, surpreendo-me de ainda não conseguir pronuciá-los com naturalidade. O que me intriga é que não só eles estão guardados no céu de minha boca, há outras palavras ali, em estado de latência, tenho medo de acordá-las. Umas pouco usadas, outras, estou ansiosa por falar.

Não consigo pronunciá-las. Uso tão bem as palavras em uma conversa, sei manejá-las a ponto de que o outro não saiba quanto medo tenho de utilizar as temidas palavras guardadas no céu da minha boca. Crio uma conversa movediça, medo de mostrar que por trás de tamanha organização silábica, há um emaranhado de letras desorganizadas, sentimentos postos, melodia exaltada. Presumo o que você sente com as minhas palavras, você também se desvia dos sons, desaparece.

Jogamos palavras de forma polida, bem escrita e ordenada; queria tanto que você soubesse que gosto mesmo é da palavra despenteada, da palavra amassada, de sua voz arranhada. Mantemo-nos em sistematizações, sabemos até aonde devemos ir. Só Deus sabe o quanto eu queria uma palavra irresponsável.
Eu me distancio, soboto-me e não digo nenhum palavrão, muito menos as palavras escondidas.

Música para ouvir com este post:  Joy Division - Love will tear us apart (1976)