terça-feira, 17 de novembro de 2009

Em breve

A boa filha... à casa... torna.

depois de recolher-se na rua. você já se recolheu?
e como foi?
eu tentei. com meio sucesso. com meia vontade. com menos de meia verdade.
Acho que já falei aqui que eu não gosto de verdades, de qualquer forma, não é isso que quero colocar aqui.
quero falar de esconder pra achar, de perder pra ganhar.
de vida com morte, com sorte moída e espalhada.
porque sorte não é que nem pedra no caminho, sabe. sorte é que nem pó em vendaval. é de passagem.
quando você se recolheu, se recostou em cantos distantes e cheios de multidões invisíveis, você teve sorte?

vamos lá, O QUE VC ACHOU?

as botas de judas? não. ninguém paga mais nada por elas. pagam mais pelas cordas que o enforcaram (ele foi enforcado, não foi?) e essas cordas devem estar mais próximas que as esquecidas botas. o que judas faz aqui?? sei lá. eu devo tê-lo encontrado lá. em sua atrapalhada inexistência.

que mais achou?
o juízo que te disseram que perdeu?
whatever. too late! not useful. let it there!

hum? Sol?
banal demais hoje. corpos celestes são muito parte dos dias. banal demais pra quem se recolhe e mal enxerga as tralhas que carrega. os pesos. mto comum.

what else? esbarrou com... GENTE?
você se recolheu e viu gente? de verdade? de carne e osso?

eu não. eu quis sair de mim. quis sair dos outros. quis sair daqui.
onde me recolhi eu vi bocas. eu ouvi gritos. escutei sussurros. olhos grandes, alegres. outros perdidos. e uns tantos tristes mesmo. assustados. nervosos. dois ou três de fato, apaixonados, quem sabe também, apaixonantes.
mas eu não vi gente. não tinha gente.
tinha histórias. pela metade. quase completas. quase sãs. quase loucas. quase... minhas.
mas não eram.
eu ainda me recolho.
ainda saio de casa e corro pra lá.
lá--> "rua dos bobos, número zero. não tinha teto, não tinha nada." tinha céu.
eu vou pra lá. eu preciso de lá. dos olhos. e das mãos. dos braços. tinha abraços?
tinha sonhos. estranhos, inertes, engraçados, irônicos. riam-se de mim, mesmo sendo meus. insanos.
tantos insanos. tão bons. tão sons. tão sós.
eu vou. mas eu volto. me recolho. me transformo. e volto.
em breve.

Ah, lá tem sons. de vez em quando, frevos:

"Foi a saudade que me trouxe pelo braço..."

domingo, 8 de novembro de 2009

Onde está a autonomia sobre o corpo?

O Brasil e o mundo(sim o mundo também relatou todo esse ocorrido) acompanharam o caso da universitária Geisy Arruda, aluna do curso de Turismo da UNIBAN. Vestida do jeito que gosta a aluna foi a aula. Ela foi motivo de escárnio. Foi "apedrejada" por palavras e pre-conceitos.

O que queremos chamar a tenção aqui é que a estudante foi expulsa da UNIBAN na semana passada. No anúncio em que divulgou a expulsão da aluna, a universidade afirma que ela frequentava a unidade com trajes inadequados "indicando uma postura incompatível com o ambiente". Incompatível??

O que faz a universidade quando rapazes vão com blusas regatas; com calças rasgadas; ou quando mostram suas cuecas? NADA. Por quê? Porque são homens e homens se vestem como querem, porque homens TEM o poder sobre seus corpos.

Por que as mulheres são produtos de uma sociedade machista e não podem determinar o que fazer com seus corpos? Isso é claramente demonstrado com o caso do aborto. "Se homem engravidasse o aborto já seria legalizado", diz a máxima. E é verdade.

O homem conseguiu o direito de dominar e fazer o que bem quiser com seu corpo, mas e a mulher? Infelizmente o corpo da mulher é objeto do desejo do homem. Se a mulher mostra o corpo pra desencadear desejo ela pode fazer, mas quando faz porque quer, quando se veste como gosta, quando se sente bem com o que veste ou com o corpo que tem A sociedade vai de encontro a isso.

Ainda bem que mulheres que lutam pela causa da emancipação da mulher não esmorecem. É o caso das ilustríssimas Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres; da deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP); da socióloga e diretora do Instituto Patrícia Galvão, Fátima Pacheco. Todas essa mulheres exigem uma retratação dessa dita "Universidade". Exigem que essa instituição, que deveria ser um reflexo da evolução d@s seres humanos; da libertação da humanidade; da demonstração ímpar da diversidade, veja o erro que cometeu e se concerte.

A dita conduta de prostituta não justifica o jeito pelo qual Geisy Arruda foi tratada. Se isso justificasse a homofobia também seria. A intolerância religiosa seria perdoada e judeus e muçulmanos e qualquer outro poderia ser perseguido devido seu credo.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Urucubaca

foi assim.
primeiro eu tentei atualizar meu currículo lattes e errei meu próprio nome.
depois escrevi um artigo e errei o título.
então, acho que alguns colegas ficaram chocados ao perceber que eu troquei viagem por viadagem, isso depois de revisar o e-mail duas vezes
se existe algum limite para a minha falta de atenção, eu ainda não o encontrei.

domingo, 1 de novembro de 2009

O corriqueiro caso de Benjamin Button


Caminhar contra o destino esperado. Ou num destino contrário. Ser um estranho caso, curiosamente observado e, pouco a pouco, esquecido. Benjamin, no filme, recebe afagos e mimos. Seu fazer-se diferente é lembrado a cada transformação, compreendido por quem lhe devota amor, celebrado, compartilhado, chorado e vivido. Eu chorei e vivi. Senti a melodia triste que embalava a tristeza do filme e as palavras gentis que inventaram poesia num destino contrário ao tempo. F. Scott Fitzgerald, autor do conto que inspirou o filme, é bem menos benevolente. Benjamin não recebe afagos: é inteiramente entregue ao seu caminho torto, obrigado a assumir erro – ou acerto – de tornar-se o que não deveria ser. E persiste em tornar-se Jovem a cada dia. Diferente e único. Mostrando-se um recém-nascido pleno de sabedoria. Um idoso de contornos delicados, suavemente amando coisinhas pequeninas e desfrutando de um esquecimento sem ressentimentos ou perdas. E sozinho nisso tudo. Também os outros dele se esquecem. Do velho sábio que já foi. Do pai amigo que se tornou. Do amante, do marido, do namorado, do homem. Sua diferença é notada apenas quando escandaliza. Quando assusta. Depois passa. Tudo passa. Mulher, amada, filho, pai, avô, universidade, e mesmo a última pessoa amada – uma babá.

Eu poderia dizer que se trata de uma história sobre solidão. Ou que se trata de um conto sobre a diferença. Sobre o desvanecer da vida no tempo. Sobre o erro do tempo. Mas penso-o como algo bem mais simples: O Estranho Caso é o caso de um caminho pleno de movimentos e transformações. E esquecimentos. Benjamin mostra que fazer-se é sempre diferenciar-se. Sempre um ato singular e incompreensível, que se faz intenso no momento do possível. Não é um caso curioso. É o meu caso. O seu caso. O caso de ser sempre diferente entre os iguais. Uma criança outra entre as crianças. Um velho errado entre os velhos. Um marido aflito diante da eternidade de um casamento no qual o amor já não é o mesmo. Um pai que não é o pai que deveria ser, e que se faz a criança que o filho não gostaria de ver. Um filho que sabe mais do que os pais supõem. Um homem que é sempre mais e menos do que a vida exige. Benjamin é além-vida – de para além da vida ele se inventa, corajosamente apostando em seus erros e acertos. E Fitzgerald não se compadece dele. A vida, afinal, não se compadece nem afaga. Mas traz a intensidade possível para que nos diferenciemos.


Ps:. Hoje eu acordei com vontade de postar dois textos ao mesmo tempo!]